A dependência química, tanto de substâncias consideradas ilícitas quanto das
lícitas (com destaque, nesse caso, para o álcool), é tema de preocupação para todos.
Para ficarmos no caso das drogas legalizadas, estima-se que, no Brasil,
aproximadamente 10% da população tenha a dependência de álcool (1) – com o que
se supõe que, por conta dos problemas secundários ao alcoolismo, o País tenha o
prejuízo equivalente a 7,3% do PIB (2). Detalhe: a dependência de drogas não escolhe
classe social ou cultural – todos, inclusive os mais abastados financeiramente, estão
sujeitos a isso.
Sabe-se, por outro lado, que o alcoolismo propicia, entre outras moléstias, o
acometimento por doenças cardiovasculares, diabetes e complicações circulatórias.
Nessa hipótese, quem se utiliza do sistema de saúde por conta dessas doenças
secundárias não será classificado como portador da doença do alcoolismo. Além
disso, a própria OIT – Organização Internacional do Trabalho anota que 50% das
faltas e licenças médicas no trabalho têm causa no alcoolismo (3).
Num quadro de crescente preocupação de empresas e operadoras de saúde em
se racionalizar os custos com a saúde (em especial através de programas de prevenção
e acompanhamento da saúde de seus colaboradores), a solução eficiente do problema
da dependência química, sem dúvida, é medida que se impõe, pois evita custos com
doenças secundárias, absenteísmo e queda de produtividade – o que se aplica a toda e
qualquer empresa.
É cada vez maior, no âmbito das empresas, a preocupação em se acompanhar,
de maneira proativa, os hábitos de vida de seus colaboradores, em especial com a
finalidade de minorar os riscos decorrentes do agravamento de doenças crônicas – e,
por óbvio, o consequente uso maior do sistema de saúde.
Já existem, inclusive, programas que incentivam a prática regular de
exercícios físicos, bem como que controlam peso e tabagismo (4) – sendo esta uma
tendência a ser observada, inclusive com relação ao abuso de álcool e de outras
drogas, o que já se vislumbra nos EUA (5).

Afora a própria folha de pagamento, os custos com a saúde dos colaboradores
(11,54% da folha) é o maior valor despendido pelas empresas na área de recursos
humanos (6) – e, no que tange ao sistema suplementar de saúde, mais de 80% de seus
usuários são provenientes de planos coletivos (7).
Sob esse quadro, cumpre destacar que, quando bem executado, um programa
de prevenção e informação quanto à dependência química é medida que combate a
excessiva utilização do sistema de saúde e, assim, evita custos dessa ordem – sem
contar o aumento de produtividade dos colaboradores e a minimização de problemas
relacionados a despesas com demissões ou afastamentos, além do destaque para o
papel da empresa no que tange à sua responsabilidade social quanto ao bem-estar e
saúde tanto de seus colaboradores quanto de terceiros.
“O custo da folha é muito alto, mas começar do zero, recontratar e treinar pode ser
mais custoso depois” (Márcia Almstron, diretora de RH e marketing da consultoria
Manpower Group Brasil – 8).
A melhor solução, portanto, passa necessariamente pelo caminho da
prevenção.
“A ideia por trás disso é que tratar bem as pessoas e prevenir é menos custoso do os
prejuízos por afastamentos médicos e causas trabalhistas” (Ana Cristina Limongi-
França, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gestão da Qualidade de
Vida no Trabalho da Universidade de São Paulo).
Não pode haver dúvida: investir em programas de prevenção não é apenas
questão de sobrevivência para as companhias que oferecem planos de assistência
médica a seus colaboradores, mas, em especial, inegável contribuição para o
florescimento de uma sociedade mais saudável e socialmente sustentável.
***
1 – CEBRID – Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas, instituição ligada à
Universidade Federal de São Paulo, “II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de
Drogas Psicotrópicas no Brasil: Estudo Envolvendo as 108 Maiores Cidades do País”,
publicado em 2.006; e UNIAD – Unidade de Pesquisa de Álcool e Drogas da
UNIFESP, “II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad)”, publicado em
2.012.

2 – Moraes, Edilaine; Campos, Geraldo M.; Figlie, Neliana B.; Laranjeira, Ronaldo; e
Ferraz, Marcos B. – “Conceitos introdutórios da economia da saúde e o impacto social
do abuso de álcool”, pesquisa da Universidade Federal Paulista de Medicina
publicada na Revista de Psiquiatria Clínica, volume 28, 2006. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_artext&pid=S1516-44462000400014>

3 – Jornal “Correio Braziliense", edição de 26.01.15. Disponível em
<http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2015/01/21/internas_economia,609960
/alcoolismo-mina-a-produtividade.shtml>

4 – O Estado de São Paulo, edição de 22.11.15 (“Operadoras vigiam os hábitos de
seus clientes”).

5 – Valor Econômico, edição de 06.11.15 – “Agentes engajados”, publicado no
caderno especial de saúde);

6 – Folha de São Paulo, edição de 25.10.15 (“Na crise, empresas rebaixam plano de
saúde do funcionário”). Também disponível em
<http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/10/1698205-na-crise-empresas-
rebaixam-plano-de-saude-de-funcionario.shtml>

7 – O Globo, edição de 12.04.15. Disponível em
<http://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/plano-de-saude-
individual-mais-raro-caro-15848792>

8 – Oliveira, Vanessa Rocha de; e Oliveira, Luiz Carlos Marques de –
“Reconhecimento de alcoolismo em um hospital geral universitário” (2006), pesquisa
realizada junto ao Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-
UFU). Também disponível em <http://rmmg.org/artigo/detalhes/261>.

9 – Matéria veiculada no Valor Econômico, edição de 29.10.15, pág. D3 (“Empresas
investem para melhorar bem-estar dos funcionários na crise).

10 – Matéria veiculada no Valor Econômico, edição de 09.10.15, pág. D3 (“Gasto
com saúde consumirá 8,4% da renda familiar”).